domingo, 13 de novembro de 2016

libélulas mortas

eu tenho medo das mentiras bem contadas e das coisas ditas por dizer
fumo um, dois, cinco cigarros
o gosto de monóxido de carbono inunda a cabeça
tomo um, dois, cinco comprimidos
na esperança de que fôssemos mais um vislumbre
da realidade distorcida pelos olhares de pedra.

sumo dentre o povo, e o povo some de mim
enquanto o cenário empírico das tragédias cômicas
transborda pelas beiradas do que já foi úmido:
a sorte seria o pretexto das coisas mágicas.

já era ontem quando eu sufoquei
só de dilacerar o pouco que foi nosso
um livro vermelho
as xícaras de porcelana
e uma sensação maldita que não vai embora:
libélulas morrem na boca do meu estômago.

e no cenário desnudo
do sonho mais lúcido
nos fizeram desaguar de novo
pela cura daquilo que foi obtuso
e inundado na carne indiscreta.

as paredes do silêncio arredio
me mantiveram afogada no fel
da tempestade que calou as nossas bocas
submersas no cais de papel.

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