segunda-feira, 13 de abril de 2015

cena II

se eu ainda fosse pequena
minha dor não caberia mais em mim.
não caberia na garganta
não caberia no peito
não caberia nos olhos
e vazaria todos os dias

(por horas a fio)

minha dor não caberia mais em mim.
não caberia nas horas
não cabeberia nos suspiros
e muito menos nos gritos de desespero

(sempre silenciados)

minha dor não caberia mais em mim
e por dentro já não sobraria mais espaço:
pra saber do perdão
e do amor
e da lucidez
e de todos os possíveis consolos.
minha dor não caberia mais em mim
e também não caberia a ninguém
tirá-la de mim:
somos uma só
a dor e eu
até que a morte nos separasse.

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