quinta-feira, 25 de setembro de 2014

cena I

um pensamento sobre alguma coisa
ecoando durante o sempre
(enquanto o amanhecer não se cansa)
porque pra hoje o que tem é saudade:
de saber sobre o que talvez
um dia
quem sabe
passaria pelos lados de cá.

peculiaridades, particularidades
e as partículas de luz
descansando sob a pele
num sobreposto de camadas:
o que era pra ter sido
o que até foi
e o que depois nunca mais.

(só pra eu não ficar raza de tanta razão
e morrer na crueza do que se entende por cíclico)

mas àqueles que ainda não souberam de mim,
ando sempre pelos meios:
entre o céu e o cheiro de terra molhada
entre o cigarro da boca e o abraço no choro
entre o resto dos cantos e beiradas
e o que ainda
um dia
quem sabe
ficou.

e o corpo,
cenário de mim,
imerso no tempo que me foi concedido
(por alguém que gostava de contar)
pelas horas de insistir que fui pêlo, dor
ritmo, medo
calor
silêncio
dos olhos atentos
e as mãos inquietas,
que é pra deixar pra trás
esse rastro da certeza
de que talvez
um dia
quem sabe.