segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Uma dúzia de pontos de fuga

Eu me ajoelho no chão e lambo todos os meus leites derramados, até os que azedam. As vezes também tem uns que viram iogurte. As vezes eu coloco açúcar, que nem a minha vó faz no café da manhã. Isso que eu nunca acordo cedo. O outro nunca é saber se tenho mais um ou dois instantes, porque uma estante eu sei que tenho. Cheia de livros muito velhos, com histórias muito antigas dentro. Escritas por gente que demorou muito tempo pra ser levada a sério. Tempo suficiente pra morrer e nascer de novo.
Se eu nascesse depois de morta, não ia querer saber tudo o que aprendi antes de morrer. Imagina que coisa mais horrível, estar condenada a trocar de corpo depois de uma vida tentando se acostumar? Tá certo que carne é tudo igual, mas minha carne é minha e se tiver que apodrecer um dia, que eu não esteja lá pra ver. Acho que por isso que o mundo sempre foi desse jeito, e se numa linha de raciocínio seguida debaixo do chuveiro eu descobri um dos motivos do mundo ser do jeito que é, acho que alguém manda dizer pros filósofos que nele habitam que Não, não temos com o quê se preocupar.