sábado, 8 de janeiro de 2011

Conclusões de borboleta

I
Entre os pensamentos me pousa o fato de que a lei do encanto (cuja teoria diz que na vida a gente tem que se dar o luxo da descoberta todos os dias) jamais poderá ser burlada. Essas borboletas, que vagueiam entre os devaneios, são tão comoventes quanto insignificantes.
E como se dentre os meus vôos (as vezes eu também gosto de ser borboleta) existisse uma saleta de boas vindas à todas as sombras do abismo que é ser alma fora da lei, eu me sentei no sofá e fui me dissolvendo na infinita saudade de sofrer, que me convenceu a finalmente seguir as normas da alma e cumprir a natural automação de me torturar com atos e gestos estrangeiros – entendidos por mim como descoberta estragada (da qual estamos todos carecas de saber), pois até a descoberta apodrece.

II
Uma vez eu encontrei um adorável conforto: o colo daquele que se importou até quando não era essa a sua vontade. Mas, o meu descontrole era interior, e esse jamais pode ser domado. Sendo assim, o conforto já não se sente tão confortável em dar-se. E se a lei do encanto jamais poderá ser burlada, só o que sei é que além de ter a data de validade muito curta, a compaixão é a mais falsa das queridezas.

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