quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Passeios Tempestuosos

Eu tenho me agarrado nas memórias. Eu tento, em meio a uma dessas nostalgias (enriquecedoras) de colecionadora, renegar todas as outras que me fazem mal - mas é utópico e tem cheiro de chuva. Uma chuva que eu engulo até o fundo da minha alma pra nunca secar. Uma chuva da qual me faço todas as gotas. E assim eu me arrasto pelos subúrbios, me esfregando pelos muros e humedecendo as esquinas na procura incansável de qualquer coisa que seja mais bonita do que as outras que eu vi antes, e imaginando melodias que ficam a me miscigenar com o caos ensandecido, tornando-o, então, inerente. Tem dias que eu absorvo tudo, e tem dias que tudo me absorve.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Bilhete de quando eu não quis fugir

Se a nitidez do teu sorriso me deixa cega,
então não me resta mais nada além de te querer.
Porque essa insatisfação sedada
não é pra sempre.
Quando tua carne, e a minha carne
é nossa
a vulnerabilidade de todo meu ser é incontestável.
Eu tenho um sussurro pra fazer no teu ouvido:
Todos os planos de fuga que já planejei,
agora, são descartáveis.
Todos os bilhetes que deixo,
seja debaixo da porta
em cima do travesseiro
nos meus olhos...
Eles são de quem fica.