quarta-feira, 5 de maio de 2010

Azulejos Portugueses

Os azulejos portugueses do banheiro se rachavam mais em cada batida de sua cabeça. Azuis marinhos, azuis suaves e amarelos solares se despedaçavam. O sangue no chão, visto por ela, era suco de morango derramado acidentalmente.
"Não, não é tão amargo", uivava por tranquilidade. O cheiro de doença tomava conta do recipiente, chegando até suas narinas e causando repulso. Náusea. Fartei-me! Dos "Vence na vida!" que dizem os desdentados. Desse probleminha de fim de mês que se resume a meter um pão na boca e um copo de água na garganta. Da minha hipocrisia. De todos eles, os da politicazinha imunda - Militantes da debilidade, manipulação e da mentira. Escravos do trânsito, moda, orgasmo fingido e felicidade comprada... Cheios de pulinhos, sorrisos que chegam a causar dores na mandíbula, gargalhadas falsas, gesticulações e bracejos efusivos, jantas de família e biquinhos fechados que se abrem ao citar desgraças alheias e piadas de mal gosto. Que mordam suas malditas línguas. Que derretam, escorram pelos ralos e se mesclem com o lixo que os mesmos jogaram - Pois, ainda ouvirão os sinos da discórdia e da verdade, que apesar de certos, perturbaram-me e a acordaram-me de meu lindo sonho juvenil. Raiva euforia histeria esgotamento. E os pedaços de azulejos portugueses na minha caixinha - agora nem tão secreta - de desventuras.

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Parabéns, belo escrito ^^

    meu blog: www.quebrandoogenio.wordpress.com

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  3. Parei de escrever por sua causa.

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