sábado, 24 de abril de 2010

Meiga Morte

Se arrastava balbuciante pela esquina, o bêbado inescrupuloso que pensava em sua mulher e filhos como seres que o atrapalhavam de viver. Tropeçava pela calçada mal feita, indo pro meio da rua uma vez ou outra na esperança de que um caminhão o esmagasse. Reclamando baixo da própria desgraça, numa dessas idas e vindas da calçada pra rua, tropeçou em um dos paralelepipedos - como se estivesse tropeçado no próprio coração -, caindo ao lado de um bueiro perto da calçada onde fatídicamente bateu sua cabeça, e onde seu cérebro despedaçou-se e espalhou-se pelo chão.
Das trevas, burlescamente surge um gato (desses que ficam a vagar pela noite) que inocente se aproximou da massa cinzenta, deu uma lambidinha curiosa e se foi embora.

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