sábado, 24 de abril de 2010

Meiga Morte

Se arrastava balbuciante pela esquina, o bêbado inescrupuloso que pensava em sua mulher e filhos como seres que o atrapalhavam de viver. Tropeçava pela calçada mal feita, indo pro meio da rua uma vez ou outra na esperança de que um caminhão o esmagasse. Reclamando baixo da própria desgraça, numa dessas idas e vindas da calçada pra rua, tropeçou em um dos paralelepipedos - como se estivesse tropeçado no próprio coração -, caindo ao lado de um bueiro perto da calçada onde fatídicamente bateu sua cabeça, e onde seu cérebro despedaçou-se e espalhou-se pelo chão.
Das trevas, burlescamente surge um gato (desses que ficam a vagar pela noite) que inocente se aproximou da massa cinzenta, deu uma lambidinha curiosa e se foi embora.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O Imaginário

Eu tinha um cachorrinho.
Ele era meu amigo.
Era muito bonito.
E, ainda por cima,
Não era gente.
Ele me acordava,
Me seguia enquanto eu andava.
Não me deixava dormir.
Mas ele morreu.
Desconfio de que nunca existiu.