quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Renascer

Vi o dia escurecendo. Senti o vento frio levando meus cabelos e queria em seguida voar com ele, pintar as nuvens. Fugir da minha vida. Senti meus pés quebrarem as folhas secas do chão, vi algumas caírem, mansas e compreensivas pela chegada do outono. Cumprimentei o velhinho simpático e digno de dó que ia apressado, sorria amarelo e carregava o fim do mundo nos olhos. À minha espera estavam monstros enfermos necessitando arduamente de meus cuidados. Gemiam morrendo aos poucos e precisavam de uma alma jovem e ténue para lhes socorrer. Vi, então, essa alma que tristemente cheirava a remédio em silêncio, obrando o caos e as desavenças. Sofria de mutação conforme o desgaste emocional precisava de reparos. Previ que precisava ir embora e deixar minhas observações de lado. Andei em passos curtos e lentos pela minha escura estrada, sonhando com um abrigo que me desse conforto e quietude como licença para as recordações, o que não foi possível. Me sinto como uma daquelas folhas, e ingrata acho que também tenho que cair da minha árvore e nascer de novo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário