quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Gula

Era uma vez uma garotinha. Ela tinha fome de aventura e sede de inusitado. Sede de tristeza, fome de alegria. Gostava de momentos intensos.
Ela tem pensado nas coisas. Era uma viajante.
Queria um barco, uma vela, bússola e rumo. Correu atrás dessas coisas, e conseguiu todas elas. O que faria agora? Ela queria o mar. Tornou-se marinheira e dona dos mares. Conheceu figuras ilustres, e as devorou, junto com o mar.
Ela queria a terra! Um caminhão, libertinagem, charlatanismo uma jaqueta de couro. Andava pelos tempos, tentando achar seu rumo, desvendar seus segredos. Via as pessoas que passavam, de expressões simples às mais esquisitas do mundo. Tímidas, pensativas, tristes, exaustas, e até apaixonadas. Ela gostava das tristes, mas ainda não era uma sádica completa. Brigava com umas, ria com outras, se irritava fácil e agia como o animalzinho disfarçado que era. Tinha medo de si mesma e atropelava os ocorridos como um gigante descuidado esmagando tudo com um simples movimento tosco. Passava por abismos onde silhuetas perambulavam neutras moldando suas mágoas. Desistiu, a garotinha.
Foi pro ar. Pro mais forte e contagiante ar. Se deixou levar pelo ar.
Voava, reinando seu mundo que lá em baixo aguardava por explicações e histórias de suas aventuras. Ficava acima de todos, e via coisas que ninguém imaginava. Sorria, chorava... E cansava rápido das coisas. Lá de cima, então, comeu tudo. O mundo inteiro, essa gorda! E ainda tinha a jornada mórbida na memória. Essa garotinha, no mínimo, é uma narcisista muito da fajuta.

2 comentários:

  1. "...E cansava rápido das coisas. Lá de cima, então, comeu tudo. O mundo inteiro, essa gorda! E ainda tinha a jornada mórbida na memória."
    bjo

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